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E-Procurement: Uma reflexão Sobre a Situação Actual em Portugal

Resumo

A revolução digital protagonizada pela Internet centrou em si as atenções do mundo, pois o impacto anunciado na sociedade e no tecido empresarial era enorme. Foi a época das dot.com, do capital de risco, dos entrepeneures e do “despeça-se já”1. No entanto, o mundo prometido estaria um tanto longe e a queda das bolsas tecnológicas, e a subsequente alteração na configuração do tecido empresarial no sector das tecnologias de informação, levou a que os modelos de exploração tecnológica fossem repensados. Se no plano social a Internet é algo incontornável, no plano económico os modelos de e-commerce e de e-business foram reavaliados, no sentido de uma maior racionalidade dos investimentos e dos modelos de negócio.

Passados estes anos tumultuosos, assiste-se a um crescimento mais lento do que as previsões optimistas do passado, mas fundamentado, com projectos mais sólidos. O mercado empresarial incrementa a sua participação nos modelos B2B e as vendas do B2C aumentam gradualmente.

Um pouco à margem destas considerações, os projectos de governo electrónico surgem um pouco por todos os países e rapidamente demonstram um business case fortíssimo, exibindo a mais valia da presença das administrações públicas na Internet e da interacção electrónica entre estas e a sociedade.

Por força da constatação desta realidade, as compras electrónicas ocupam um lugar de peso nas estratégias das empresa e do Estado, e há evidências que têm vindo a demonstrar essa importância. Citem-se os casos dos e-marketplaces que surgiram em Portugal nos últimos anos, dos portais privados de B2B, do crescimento das transacções pela Internet ou das recentes iniciativas sobre as compras electrónicas do estado.

Este trabalho aqui apresentado está enquadrado nos projectos desenvolvidos pela Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade de Informação (APDSI) no ano de 2003, que contou com a participação de um painel de individualidades lusitanas cujo contributo permitiu definir e apurar a visão que predomina sobre o panorama das iniciativas e projectos nacionais de e-procurement. Este esforço foi liderado pelo Doutor Luís Alfredo Amaral (Departamento de Sistemas de Informação, Universidade do Minho).

O e-procurement é um dos espaços fundamentais da construção da Sociedade da Informação, muito em particular em Portugal, devido à atenção que o governo Português prestou a esta área nos seus planos de acção, ao reconhecer a sua importância para a renovação da Administração Pública Portuguesa e dedicando-lhe alguns dos seus projectos mais emblemáticos.

A estrutura do documento apresenta dois grandes blocos. O primeiro procurará discutir os conceitos e as práticas associadas ao e-procurement, seja ele privado ou estatal, fazendo um balanço do passado e perspectivando o futuro. O segundo fornece as linhas orientadoras do estudo realizado sobre a temática do e-procurement e sua aplicação em Portugal. Optou-se por uma metodologia intitulada de Delphi, aliada à Técnica Q-Sort, no sentido de extrapolar quais as questões-chave mais relevantes no que concerne a este tema. Procurou-se apurar quem eram os stakeholders relativos a esta matéria no nosso pais e indagar a sua opinião sobre a aquisição de bens e serviços por via electrónica.


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